Endometriose Intestinal: Quando suspeitar e como deve ser abordada.

29.12.2020

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Endometriose Intestinal: Quando suspeitar e como deve ser abordada.

29.12.2020

A Endometriose é uma doença crônica, cuja causa não é totalmente conhecida, em que há implantações de células do endométrio (a camada mais interna do útero) fora da cavidade uterina.

O que seria, então, Endometriose Intestinal?

Quanto a Endometriose infiltra a parede do intestino (camada muscula); sua incidência vária entre 3,6% a 37%. As regiões mais acometidas são o reto e o cólon sigmoide (porções mais distais do intestino grosso), que representam 73% dos casos, seguida do apêndice cecal e do intestino delgado. Talvez a razão para isso seja a proximidade anatômica do reto e com a região entre o útero e a vagina. Na maioria das vezes, essa doença é multifocal, pelo fato de acometer também órgãos pélvicos: peritônio, ovários e trompas.

O que fazer quando suspeitar clinicamente da Endometriose Intestinal?

Existem cinco pontos cardinais da Endometriose: dor pélvica crônica (cólicas menstruais exacerbadas e mesmo fora do período menstrual); infertilidade; fluxo menstrual aumentado; dispareunia (dor durante a relação sexual); sintomas que chama a atenção para o diagnóstico da Endometriose retal: dor no reto e dificuldade para evacuar, durante o período menstrual.

O que fazer diante da suspeita clínica?

Após avaliação minuciosa do Ginecologista, com experiência em Endometriose, a Ressonância de pelve e a Ultrassom de mapeamento para Endometriose são os principais exames.

Como deve ser o tratamento da Endometriose Intestinal?

O tratamento racional deve ser norteado por uma avaliação criteriosa dos sintomas do paciente e dos achados nos exames de imagens citados, por equipe multidisciplinar de Ginecologista e de Cirurgião do Aparelho Digestivo. O tratamento pode ser clínico medicamentoso e, em casos selecionados, como o tratamento das lesões no intestino, a videolaparoscopia é o método indicado. Através dessa técnica é possível o tratamento com sucesso, tanto da doença no intestino como nos órgãos pélvicos associados, além de também auxiliar no diagnóstico da doença.

Como deve ser conduzido o paciente após a cirurgia?

O seguimento deve ser por toda a vida do paciente, pois se trata de uma doença crônica e de causa multifatorial. O seguimento deve incluir avaliações periódicas do Ginecologista e do Cirurgião, bem como planejamento nutricional e tratamento de eventuais transtornos psíquicos, como ansiedade e depressão. A fisioterapia anorretal também é importante neste contexto. Em resumo, a Endometriose profunda é doença, atualmente, muito prevalente em nosso meio, de causa ainda desconhecida, apresenta evolução crônica e cuja abordagem e tratamento devem ser multidisciplinares para o resto da vida, visando ao adequado controle da doença e à melhora da qualidade de vida das pacientes.

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Dr. Felipe Rocha

Cirurgia do Aparelho Digestivo
CRM/PB 4377 | RQE 2756
CRM/PB 4377
RQE 2756